domingo, 18 de setembro de 2011

Pra sempre nunca mais


Estou me recuperando bem, eu acho...
Ainda penso nisso às vezes... Ainda sinto tristeza e sofro...
Mas não sinto mais ódio. Não, isso não...
Fico aqui tentando, até agora, entender o por quê disso tudo.
Fico aqui sentindo vergonha em ter acreditado que entre nós tudo era perfeito.
Como uma criança tola que acredita que o mundo é bonito, até que conhece a fome.
Alguém que acredita no amor, que aprendeu que isso é a coisa mais poderosa e se viu destruída por ele.
Alguém que ouviu que era única no mundo
e descobriu que estava longe de ser...
Bem longe...
A confiança, da qual tanto se orgulhava, era na verdade burrice.

Será?

Será que eu estava fazendo algo errado?
Será que eu devia desconfiar, vigiar ou até seguir? Será que eu estava sendo tola em acreditar em cada palavra que me dizia?
Em quê eu errei? Não dei carinho suficiente?
Fazia um tempo que eu não estava recebendo carinho o suficiente.
Já havia me queixado de ser deixada de lado em algumas ocasiões.
Nem por isso passou pela minha cabeça em algum momento fazer algo semelhante.
E agora depois de tanto tempo caminhando com antolhos, porque você me bastava, eu olho para os lados.
Como se meu olhar não tivesse mais exclusividade.
Porque você perdeu este direito.
Não, não perdeu.
Você renunciou dele.
Não me sinto mais tão perto de estar completa.
Pelo contrário, agora há um buraco negro em mim, que puxa o que está em volta, tentando se fechar.
Tentando se estabilizar.
E procura isto inclusive em você...


Nem sempre encontra.


Eu já não sabia o que era isso de ter um abismo no peito.
Ainda não entendi como funciona, como sair daqui.
O que se faz agora?
Como se repara isso?
É deixando você?
É permanecendo ao seu lado e desconfiar pra sempre?
"Pra sempre"...
Te incomoda que não sei mais te dizer estas palavras.
Você me diz "eu te amo", eu te respondo com palavra e sentimento.
Você me diz "eu te amo pra sempre", eu te respondo com silêncio e vazio.
Já sou incapaz de acreditar.


Engraçado...


O pior de tudo é que eu nunca vou ser o suficiente.
E eu acho que a "culpa", é minha, porque eu me tornei alguém diferente daquela que você "conheceu". Tanto em gostos, como escolha de carreira.

"Eu gostaria de namorar alguém que produzisse alguma coisa..."

Essa frase ecoa na minha cabeça desde o momento que você a disse, meses atrás...

Como o destino das pessoas é reescrito por pequenas escolhas, não é?
Um dia ela te disse "não". E se fosse um "sim"?
E se eu tivesse nunca tido um espaço na sua história?
E se essa história fosse dela?
Eu estaria melhor agora?
Você estaria?

Talvez a graça da vida seja esta...
Dizem que não devemos querer voltar atrás, porque aprendemos com nossos erros.
Eu não sei o que eu aprendi.
Não sei nem o que errei.
Errei em amar a ponto de ficar cega?
Errei em confiar em quem dormia ao meu lado?
Ou foi você que errou em não dar valor a esta confiança?
É uma pena.
Porque esta, do jeito que era, não volta nunca mais.

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